11.14.2009
Celinha - A Grande
Minha irmãzinha do meio não tem nada de inha. Celinha é um apelidinho só para constar. Minha irmã é pois sim grande em tudo: nas mãos, nas coxas, nos pés, nos braços, nas gargalhadas escandalosamente deliciosas, nos assaltos à geladeira, na graciosa beleza renascentista que faz inveja aos quadros de Michelangelo, nas manhas, nos tropeços charmosos e no coração, que de tão imenso, não cabe dentro dela e fica por aí derramando pedacinhos de marcela, enchendo a gente de carinho e de sua estonteante grandeza. Te amo, minha linda e grandiosa irmã!
A Caçula
Ela veio tão serena, que só podia ser Helena. Quando nasceu, o que chegou na frente foi a boca, imensa! (bem feitinha que só vendo). Depois aqueles olhos brilhantes e atentos, que como dois radares, a tudo percebiam. E mesmo com tantas saliências, a menina escolheu o silêncio. E seguiu assim: olhando a densidade das coisas e calando a protuberante boca, para guardar os segredos do mundo.
11.08.2009
Para quem já provou do abismo...
E por pouco entregou novamente, as mãos, os pés, o coração, os últimos lampejos de sensatez, viu tudo cair em falso. Por pouco, os olhos brilhantes, os frios inconstantes, o corpo aquecido e palpitante. Por pouco, tudo por pouco. Para quem já provou do abismo, melhor mesmo é contemplar a paisagem. (até a próxima queda!)
11.01.2009
Campos de Elfo
No último dia de outubro, o Elfo está à solta. É a noite dele e de outros, as criaturas do imaginário de Borges. Eles vêem aí. A cabeleira e olhos de fogo. São sedutores. Não volte o olhar ou será arrebatado como eu. Nos campos de Elfo, os caminhos são irreversíveis, e as possibilidades, infinitas.
10.25.2009
Reencontro
Eu nem sei mais pelo que estou chorando. Tudo é tão distante, nebuloso, para os meus olhos cansados e vermelhos. E de-repente o motivo renasceu claro, certo. Depois de tanto esconder por entre frestas a dor, os calos, eu reaprendi a me render ao sentimento novamente. Eu volto à origem e com um medo imenso de nunca mais romper este eterno reencontro sofrido com o passado. Eu só queria me despedir do amor, para que ele não perecesse maior que outros; para que o seu retorno fosse leve, cada vez mais leve e, no futuro, somente assumisse o lugar de mais uma lembrança lépida de que vivi, simplesmente.
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